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Em Construção

AFROMINEIRIDADES

🏛️ O projeto Afromineiridades: manifestações no território do Serro foi contemplado via Plataforma Semente (@novosemente), uma iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais (@mpmg.oficial).

🎯 Objetivo do Projeto:
Identificar e salvaguardar saberes, celebrações e expressões culturais que compõem a identidade do povo serrano. O projeto valoriza a memória viva de mestres e mestras da cultura popular.

 

Entre tambores e rosários, Mestre Dedeu carrega quase nove décadas de história e a memória pulsante do Congado Serrano. Neto de líderes da Marujada e dos Caboclos, nasceu envolto pelo som dos tambores e pela luz da devoção a Nossa Senhora do Rosário, seguindo o chamado sagrado que guiou toda a sua vida: dançar, rezar e celebrar.

Prestes a alcançar um marco de vida que poucos têm o privilégio de celebrar, Mestre Dedeu permanece como um dos mais importantes guardiões da cultura afro-serrana. Sua trajetória traduz a força da ancestralidade, da fé e da resistência que atravessam gerações.

No Projeto Afromineiridades, celebrar histórias como a de Mestre Dedeu é preservar a riqueza da cultura afromineira, honrar a força da tradição e reconhecer a beleza de um patrimônio vivo que continua inspirando o presente e iluminando o futuro.

 

Desde menino, Diego Mota caminha ao som do pífano e à luz da ancestralidade. Filho, neto e bisneto de tocadores, carrega nos dedos a herança sonora de um povo. É no toque da Caixa de Assovios, que percorre as ruas do Serro antes mesmo do sol nascer, que ele reafirma sua fé, sua memória e o profundo senso de pertencimento.

A Festa de Nossa Senhora do Rosário é mais que uma celebração: é a alma viva de uma gente que resiste, celebra e se reconhece em cada nota, em cada passo. Cada melodia entoada é reza, saudade e bênção, um elo invisível que une passado e presente.

A disciplina, a fé e o legado que atravessam gerações mantêm viva a tradição do Congado no Serro. Jerlyson Roger é herdeiro e guardião dessa memória coletiva, dedicando-se à transmissão de saberes e ao fortalecimento da identidade afro-serrana. Sua trajetória começou ainda na infância, quando deu os primeiros passos no Congado. Hoje, como Mestre, assume com amor, compromisso e disciplina a responsabilidade de preservar essa manifestação de fé, cultura e pertencimento. Em sua caminhada, representa não apenas sua própria história, mas também a de tantas gerações que dançaram, cantaram e mantiveram viva essa tradição.


No Projeto Afromineiridades, celebramos trajetórias como a de Jerlyson, que revelam a força, a resistência e a continuidade das tradições afrodescendentes na região do Serro. Em cada mestre, em cada criança e em cada toque dos tambores ecoam memórias que atravessam o tempo, alimentando a chama de um patrimônio cultural singular e reafirmando a identidade do nosso povo.

A história de Nelson Júnior nasceu no colo da tradição, embalada pelos toques do xique-xique, do reco-reco e da caixa. Aos seis anos, recebeu um tamborim feito sob medida, pequeno no tamanho, mas imenso em significado. Desde então, seus passos caminham firmes no compasso dos Catopês, onde cada batida é um chamado à ancestralidade.

No Projeto Afromineiridades, celebramos histórias como a de Nelson Júnior, que representam a força e a resistência das tradições afrodescendentes na região do Serro. Cada mestre, cada criança, cada som ecoa memórias que atravessam gerações e mantêm viva a chama de um patrimônio cultural único, afirmando a identidade do nosso povo.

 

Antônio dos Santos, o Toninho Caboclo, encontrou no Congado muito mais que uma celebração: encontrou um propósito. Nascido em Rio Vermelho, chegou ao Serro ainda jovem e, desde então, dedica seus passos à Nossa Senhora do Rosário, conduzido pela fé, pela devoção e pelo compromisso com a tradição.


Entre tambores, fitas e cânticos, Toninho mantém viva a identidade dos Caboclos do Serro, fazendo de cada dança uma expressão de resistência, memória e ancestralidade.

No Projeto Afromineiridades, reconhecer trajetórias como a de Toninho é valorizar os guardiões da cultura afromineira e fortalecer um patrimônio imaterial que preserva a riqueza das tradições e mantém viva a ancestralidade que pulsa no território do Serro.

Robson da Mota, contramestre da Caixa de Assovios, é guardião de uma tradição que atravessa gerações. Desde os 13 anos, ele faz parte do grupo que anuncia a Festa do Rosário no Serro ao som de caixas e pífanos, mantendo viva uma herança ancestral que ressoa nas ruas da cidade e fortalece a identidade coletiva.


No projeto Afromineiridades, celebramos trajetórias como a de Robson, que nos conectam ao território, às tradições, ao fazer comunitário e à herança ancestral que resiste, se reinventa e se afirma.

O OURO DO BRASIL

O Serro ofertou para o Brasil e Portugal ouro em grande quantidade. Mas como se deu a ocupação das minas, quem eram os arrematadores, quantos escravizados trabalhavam nas lavras? Quais processos econômicos, históricos e políticos envolveram as sociabilidades da população que tirou ouro nos rios serranos de 1702 a 1714 quando se estabeleceu a Vila do Príncipe? Quais guerras civis aconteceram, quais suas motivações, quem foram seus protagonistas? Compreender as minas serranas de 1702 a 1714 é o objetivo deste livro. Trata-se de um estudo histórico sobre as relações de poder, mandos e desmandos, constituição de autoridades civis e militares, paz e sossego da república e as revoltas populares, a partir da intrincada situação da colonização e ocupação violenta de parte do território brasileiro, em especial das minas de ouro do Serro dos primeiros anos do século XVIII. Narramos os fatos históricos dos anos iniciais do descobrimento e os conflitos inerentes da passagem das minas e a barbárie (as autorizações dos bandeirantes) para a administração pública e republicana do Senado da Câmara e dos ouvidores (a autoridade dos “homens bons”).

Publicado em 2024 pela Editora Appris, em formato impresso e e-book, através do Edital de Patrocínio Cultural 001-2023 Seleção Pública de Projetos 03054844 da Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro/MG, parceiros locais e Instituto Serrana ONG.

 

Sobre o autor: Danilo Arnaldo Briskievicz é doutor em Educação, mestre em Filosofia, especialista em Temas Filosóficos, licenciado em Filosofia e Pedagogia. Realizou estágios pós-doutorais em Educação pela PUC-Minas (2021-2022) e História pela UFMG (2022-2023). Professor de Filosofia e Sociologia do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). Ocupa a Cadeira n.º 3 da Academia Serrana de Letras (ASEL) desde 2022. Nascido na cidade do Serro (MG), em 1972, já publicou os livros Poder e violência em Hannah Arendt (2017), A arte da crônica e suas anotações (2017) e Hannah Arendt: educação e política (2020). O autor organizou com Rejane Steidel o livro O novo ensino médio: desafios e perspectivas (2018). Republicou, com atualizações, o livro de 1928, Memória sobre o Serro antigo (2020). Lançou os livros Comarca do Serro do Frio: história da educação entre os séculos XVIII e XX (2020), Serro: Patrimônio do Brasil (2022) e Chiquinha Leite: professora e negociante (2022).

 

CARNAVAL 2023

O Instituto Serrana trabalha ativamente para manter vivas as tradições culturais do Serro, como a música, a dança, o artesanato e as festas populares. Em 2023, firmou o Termo de Fomento Nº07/2023, com o município de Serro, especialmente voltado para beneficiar os blocos carnavalescos "Vai Quem Quer" (adulto e mirim), "Unidos do Gambá" e "Mokreyas Sedentas por Amor". Cada bloco, com suas características únicas, contribui para a diversidade e riqueza desta celebração, fazendo do Carnaval no Serro um evento marcante e alegre na vida da comunidade.

O objetivo principal do Termo de Fomento foi fornecer apoio financeiro para a aquisição de novos instrumentos em substituição aos antigos e danificados, melhorando a qualidade das apresentações musicais, além de financiar a criação de fantasias, comprar materiais para adereços e cobrir custos operacionais, como transporte, alimentação e logística. Assim, os blocos podem desfilar pelas ruas do centro histórico do Serro, mantendo viva a essência das festividades carnavalescas mineiras.

MAPA CARTOGRÁFICO DOS CHAFARIZES E FONTES PÚBLICAS DO SERRO

O Georreferenciamento do sistema de abastecimento de água potável do Serro com suas Fontes Públicas, Chafarizes e Bicas D’água, consta de 19 bens, classificados “com materialidade” – aqueles que possuem alguma evidência física de sua existência, e “sem materialidade” - aqueles que se perderam na paisagem urbana e que somente prospecções arqueológicas poderiam atestar sua localização. Também foram identificados os períodos construtivos, se “século XVIII” e ou “século XIX”, conforme metodologia e diretrizes estabelecidas pelo Escritório Técnico do IPHAN em Serro.  

Termo de Fomento Nº012/2022 assinado entre o Instituto Serrana ONG e o Município de Serro para o desenvolvimento do Programa “Eu Amo Eu Preservo - Fonte Pública do Arraial de Baixo”.

CHIQUINHA LEITE: PROFESSORA E NEGOCIANTE

A biografia de Chiquinha Leite (c. 1840-1911) revela a trajetória da professora da escola mista de Três Barras, povoado do Serro/MG, na segunda metade do século XIX. A partir de rigorosa pesquisa documental – cartas familiares reutilizadas como material escolar além das provas e exames oficiais guardados em arquivos públicos e testamentos – revelamos o cotidiano de uma professora no Brasil profundo, distante das grandes cidades. Na pequena escola da mestra Chiquinha Leite identificamos como as reformas nacionais operavam, de que forma ela alfabetizava, como ela mantinha seu cargo público lidando com as heranças do gesto pedagógico colonial e imperial. Além disso, mostramos como as crises cíclicas da economia do ouro do Norte de Minas afetava sua sobrevivência, sua remuneração anual e seus negócios com os tropeiros serranos com os quais mantinha relações comer - ciais de inacreditável rentabilidade. Esta é a incrível história de uma mulher negociante de tropas e professora do Norte de Minas amante de joias, proprietária de casas e fazendas e dona do seu próprio destino.

 

Publicado através do Termo de Fomento Nº03/2022, firmado entre o Município de Santo Antônio do Itambé/MG e o Instituto Serrana ONG e parceiros locais.

 

Sobre o autor: Danilo Arnaldo Briskievicz nasceu na cidade do Serro, MG, em 1972. É doutor em Educação, mestre em Filosofia, especialista em Temas Filosóficos, graduado em Filosofia e Pedagogia, professor de Filosofia e Sociologia do IFMG e ocupa a Cadeira nº 3 da Academia Serrana de Letras. Tem se dedicado à pesquisa histórica do Brasil colonial e publicou os livros Serro: patrimônio do Brasil, Chiquinha Leite: professora e negociante e O ouro do Brasil: história das minas do Serro do Frio de 1702 a 1714. Na área da Educação, publicou os livros Hannah Arendt: educação e política, O Novo Ensino Médio: desafios e possibilidades e O novelo da educação: textos para desatar nós.

SERRO: PATRIMÔNIO DO BRASIL

“Serro: patrimônio do Brasil” é mais que um livro é um documento histórico, resultado de uma longa pesquisa histórica e fotográfica desenvolvida por Danilo Arnaldo Briskievicz. A publicação possui dois volumes, no primeiro aborda-se a história da cidade do Serro/MG desde sua colonização em 1702 à criação do jeito barroco serrano de ser e habitar. No segundo volume, a curadoria de mais de 1000 fotografias ilustra a história do patrimônio material serrano no período de 1905 a 2012.

 

Publicado em formato físico e e-book através do Termo de Fomento Nº13/2021, firmado entre o Município de Serro/MG e o Instituto Serrana ONG com apoio de parceiros locais. "Serro: patrimônio do Brasil" conta a história da urbanização do Serro/MG e das motivações do tombamento pelo IPHAN em 1938.

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SEMINÁRIO INTERNACIONAL BATEIA 

O SIB 2021 nasce por conta das demandas locais da cidade do Serro/MG, questões urgentes e cotidianas relacionadas à preservação de seu patrimônio material, imaterial, do meio ambiente, de suas comunidades quilombolas e de sua história. Como o nome indica, “bateia” diz respeito ao instrumento utilizado pelos mineradores e garimpeiros da economia do ouro e do diamante para obterem os metais preciosos. A bateia esteve presente desde os primeiros dias da colonização das serranias, a vasta região entre a Serra do Espinhaço e de Itacambira. Bateia é objeto ancestral e tecnologia presente nas dinâmicas de mestiçagens serranas, guarda em sua posse a intencionalidade de revirar o que está escondido e a vontade de transformar a vida. Bateia é utopia de dias melhores. Mas contraditoriamente, bateia é também um instrumento de devastação ambiental e mudança do curso das águas, do uso massivo da violência contra os escravizados indígenas e africanos. Bateia é um objeto em si neutro, cujo bom ou mal uso depende de seu proprietário. Com a bateia se tira ouro e diamante, ou metaforicamente, com o seminário proposto se pretende tirar novas ideias e formas renovadas de ler a cidade do Serro. Apurar informações e transformá-las em conhecimento comunitário e acadêmico é o ouro e o diamante do tempo presente. 

 

Realizado no período de 20 a 22 de setembro de 2021 pelo Instituto Serrana ONG, mediante Termo de Fomento Nº017/2021 firmado com a Prefeitura Municipal de Serro, Conselho Municipal Deliberativo do Patrimônio Histórico e Cultural de Serro, apoio do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Instituto Federal de Minas Gerais / Campus Santa Luzia - IFMG, Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra – CECH, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - DIAITA e Canal do YouTube – Tava aqui pensando.

Trio Marcelo, Alex e Leandro Reis

Dersinho Silva

Banda Santíssimo Sacramento

Laerte da Cunha 

Jorge Simões - Queijo Engenho de Serra

D. Neusa - Queijo Recanto dos Pimenta 

Nicinha - Queijo Geovane T. & Nicinha

Lindomar  - Queijo Santana

Estrogonofe de Queijo

Chef Carol Fadel

Mineiro de Botas

Chef Flávio Trombino

Cumbuca de Queijo

Café da Praça

Palitos de Queijo empanados

Chef Helen.

Banana Chica da Silva

Chef Igor Anaxágoras

Trem do Quintal

Quintal de Vó

Polpetone a cavalo

Restaurante Vila do Príncipe

Pão Recheado com Queijo do Serro

Maria Augusta

Pastel de Queijo

Bar e Café Cantoria

35º FESTA DO QUEIJO

Em 2021, em cumprimento às medidas de segurança adotadas para mitigação e prevenção ao contágio e de enfrentamento da pandemia de COVID-19, publicadas em âmbito federal, estadual e municipal, a 35ª Festa do Queijo de Serro apresentou uma programação híbrida, com atrações presenciais e online.

Por meio do Termo de Fomento Nº 020/2021, firmado entre o Instituto Serrana e o município de Serro, e em cumprimento às ações previstas no Plano de Salvaguarda do Modo Artesanal de Produção do Queijo na Região do Serro, foram produzidos vídeos promocionais com as temáticas “Lembranças do Queijo”, “Sabores Afetivos do Queijo” e clipes musicais com artistas da região.

Esses vídeos tiveram como objetivo não apenas promover a tradicional festa, mas também preservar e valorizar a cultura e os métodos artesanais de produção do queijo, um patrimônio imaterial da região. As produções destacaram a importância do queijo para a identidade local, evocando memórias afetivas e destacando os sabores únicos que fazem do Queijo do Serro um produto reconhecido nacional e internacionalmente.

A iniciativa também visou apoiar os artistas locais, proporcionando-lhes uma plataforma para apresentar seu trabalho em um período de grandes desafios para a classe artística devido à pandemia. A 35ª Festa do Queijo de Serro, assim, se adaptou às circunstâncias impostas pela pandemia, mas manteve viva a tradição e a celebração de uma das maiores riquezas culturais da região.

MEMÓRIA SOBRE O SERRO ANTIGO

“Memória sobre o Serro Antigo” é um clássico do memorialismo brasileiro. Dr. Dario A. F. da Silva na sua obra original impressa na Tipographia Serrana de Nhô Costa e publicada postumamente em 1928, conta-nos de maneira detalhada a fundação da Vila do Príncipe, cabeça da Comarca do Serro do Frio, e os conflitos sociais, econômicos, políticos e religiosos desde 1702. Com a escrita de rara beleza do Dr. Dario, caminhamos seguros conhecendo a história dos caminhos do sertão do norte de Minas Gerais desde o século XVIII.

Com uma narrativa pautada em documentos de arquivos de Câmara, atualmente sob a guarda do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Serro (MG), o Dr. Dario escreveu mais que uma memória: descortinou a vida cotidiana dos antigos brasileiros do território colonial e revelou mais da construção cultural do jeito barroco serrano de ser e de viver. Esta segunda edição revista e atualizada, dotada de notas explicativas encanta e prende o leitor do começo ao fim pela exuberância dos detalhes.

Publicado através do Termo de Fomento Nº04/2020, firmado entre o Município de Serro/MG e o Instituto Serrana ONG e parceiros locais. “Memória sobre o Serro Antigo” é uma daquelas obras obrigatórias para o conhecimento profundo da história do Brasil colonial.

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA COMARCA DO SERRO DO FRIO

"História da Educação entre os séculos XVIII e XX da Comarca do Serro do Frio" percorre os cenários políticos, econômicos, culturais e ideológicos da comarca serrana, fundada em 1720, a quarta de Minas Gerais. A história da educação proposta neste livro esclarece os fundamentos das experiências educacionais em seus contextos de surgimento – as aulas régias de Primeiras Letras, as escolas isoladas, liceus de artes e ofícios, escolas normais, escolas graduadas.

Danilo Briskievicz esclarece os contextos históricos de surgimento das experiências educacionais, explicando seus conflitos sociais, econômicos, culturais e ideológicos. Um panorama repleto de informações relevantes, fundamentadas em documentos históricos de arquivos públicos e privados. Um livro fundamental para a compreensão da história da educação brasileira. 

 

Publicado através do Termo de Fomento Nº04/2020, firmado entre o Município de Serro/MG e o Instituto Serrana ONG com apoio de parceiros locais.

Sobre o autor: Danilo Arnaldo Briskievicz nasceu no Serro/MG. Estudou nas escolas João Nepomuceno Kubitscheck, Ministro Edmundo Lins e Colégio Nossa Senhora da Conceição. Licenciou-se em Filosofia e Pedagogia. Profissional da História, especializou-se e fez seu mestrado em Filosofia na UFMG. O doutorado em Educação na PUC permitiu realizar dois estágios pós-doutorais, em Educação e em História (realizado na UFMG entre Brasil e Portugal). Ocupa a Cadeira nº 3 da Academia Serrana de Letras. Professor de Filosofia e Sociologia do Instituto Federal de Minas Gerais publicou Serro: patrimônio do Brasil, Chiquinha Leite: professora e negociante, Hannah Arendt: educação e política, O Novo Ensino Médio: desafios e possibilidades e O novelo da Educação: textos para desatar nós.

i FESTIVAL SABORES DO QUEIJO

O 1º Festival Sabores do Queijo foi uma celebração da "gastronomia afetiva", destacando as memórias e emoções que cercam o queijo do Serro, um verdadeiro patrimônio alimentar da cultura imaterial da região. Mais do que um simples evento gastronômico, o festival proporcionou uma imersão profunda nas tradições serranas, onde cada prato típico contava uma história, conectando os participantes à rica herança cultural local.

Realizado em duas etapas, de 4 a 6 de outubro de 2019, no distrito de Milho Verde, e de 11 a 13 de outubro na cidade de Serro, o festival ofereceu ao público a chance de saborear pratos autênticos e descobrir as histórias que os acompanham. A programação cultural diversificada incluiu shows, intervenções artísticas, oficinas culinárias, workshops e rodas de conversa sobre o queijo artesanal do Serro. Chefs e cozinheiros locais expressaram sua criatividade, transformando cada refeição em uma experiência inesquecível.

O festival foi organizado em parceria entre a Prefeitura Municipal de Serro e o Instituto Serrana ONG, através do Termo de Fomento Nº022/2019. O evento mostrou que explorar o Serro é mais do que apreciar suas montanhas e paisagens deslumbrantes; é também um convite para uma viagem pelos sabores e tradições que definem o cotidiano dos serranos.

I ENCONTRO LITERÁRIO DO SERRO

O Instituto Serrana, em parceria com o Movimento Áurea Cidadania e Identidade Cultural, realizou em 2009 o I Encontro Literário do Serro, em homenagem a Oswaldo França Júnior, marcando os 20 anos de seu falecimento. O evento contou com o apoio da Associação dos Amigos do Serro (AASER) e teve como propósito celebrar a vida e a obra desse ilustre escritor serrano.

Nascido no Serro em 1936, Oswaldo França Júnior teve uma trajetória múltipla e singular. Antes de consolidar-se como escritor, exerceu diversas atividades: foi cadete da aeronáutica, corretor de mercado de capitais, de imóveis, de cereais e de carros usados, proprietário de banca de revistas e barracas de pipoca, gerente de empresa de ônibus e sócio de empresa de táxis. Sua carreira literária iniciou-se após ser afastado da Aeronáutica, acusado de subversão durante o golpe militar de 1964, quando publicou seu primeiro romance, O Viúvo (1965). Ao longo dos anos, produziu uma obra vasta e significativa, entre as quais se destacam: Jorge, Um Brasileiro (1967), Um Dia no Rio (1969), O Homem de Macacão (1972), A Volta para Marilda (1974), Os Dois Irmãos (1977), As Lembranças de Eliana (1978), Aqui e em Outros Lugares (1980), À Procura dos Motivos (1982), O Passo-Bandeira (1984), As Laranjas Iguais (1985), A Árvore que Pensava (1986), Recordações de Amar em Cuba (1986), No Fundo das Águas (1987) e seu último romance, De Ouro e de Amazônia (1989).

O tema central do encontro foi "Jorge, Um Brasileiro", considerado um clássico da literatura moderna nacional. Em 1967, a obra recebeu o Prêmio Walmap de Literatura, com um júri formado por Jorge Amado, Guimarães Rosa e Antônio Olinto, sendo escolhida por unanimidade entre 250 romances. O livro retrata, com vigor, o espírito de solidariedade, o heroísmo e a alegria de viver do povo brasileiro. Tornou-se referência cultural ao inspirar a criação da minissérie Carga Pesada na Rede Globo e ao ser adaptado para o cinema. Adotado pelo Ministério da Educação em escolas de ensino médio, alcançou grande reconhecimento internacional, sendo publicado em países como Canadá, Estados Unidos, União Soviética, Portugal, Cuba, França e Alemanha.

Mais do que uma narrativa, "Jorge, Um Brasileiro" oferece uma reflexão profunda sobre a garra dos trabalhadores, o companheirismo e as lutas dos homens simples na construção do Brasil moderno. O I Encontro Literário do Serro resgatou e valorizou esse legado, reafirmando a importância de Oswaldo França Júnior para a literatura brasileira e para a preservação da identidade cultural serrana.

PROJETO PORTAS ABERTAS: PATRIMÔNIO, CULTURA E INCLUSÃO SOCIAL

Entre os anos de 2006 e 2011, o Instituto Serrana ONG, em parceria com a Prefeitura Municipal de Serro, desenvolveu o Projeto Portas Abertas, uma iniciativa pioneira voltada para a valorização do patrimônio cultural, o fortalecimento do turismo sustentável e a promoção da inclusão social.

O projeto consistiu na abertura dos monumentos históricos e de interesse cultural à visitação turística e comunitária, garantindo a segurança tanto dos visitantes quanto dos próprios bens, além de incentivar a manutenção dos espaços por meio de seu uso adequado e sustentável.

Um dos principais diferenciais do Portas Abertas foi o envolvimento de jovens e adolescentes da comunidade, contratados como monitores dos monumentos de interesse cultural. A iniciativa se consolidou como proposta de primeiro emprego para jovens aprendizes, assegurando direitos trabalhistas proporcionando formação prática em hospitalidade, turismo e cultura.

Além da abertura dos monumentos, o projeto contemplou ações estruturantes:

  • Observatório de Turismo: criado para ordenar, coletar, tabular e analisar dados sobre o fluxo turístico, sazonalidade, qualidade dos serviços prestados, perfil e satisfação dos visitantes. Essas informações serviram como subsídio para a formulação de políticas públicas voltadas ao turismo sustentável no Serro.

  • Loja das Artes: espaço dedicado à exposição e comercialização do artesanato local, incluindo peças decorativas, utilitárias e gastronômicas que representam a mineiridade e a cultura serrana.

Com o Portas Abertas, o Serro deu um passo importante na democratização do acesso ao patrimônio, na formação de novos agentes culturais e na construção de um modelo de turismo mais responsável e integrado à comunidade.

TEATRO DE SACADA: HISTÓRIA DO SERRO DO FRIO

O Teatro de Sacada é um projeto cultural que transforma as sacadas coloniais e o casario histórico em palcos vivos de arte, música, poesia e narrativa, oferecendo ao público uma experiência singular de interpretação ao vivo da história do Serro. ​Realizado entre julho e outubro de 2008, o projeto contou com financiamento do Programa Monumenta/UNESCO, em parceria com o Ministério da Cultura, IPHAN,  BID e parceiros locais.

Seu objetivo foi sistematizar e interpretar a história da ocupação do Arraial das Minas do Ibiti-ruí até a formação da cidade do Serro, tendo a prática teatral como instrumento de diálogo entre memória e contemporaneidade. Sacadas, ruas, adros e outros espaços da paisagem tradicional foram convertidos em cenários, conduzindo o público por um passeio histórico e sensorial pelo patrimônio urbano.

Inspirado no teatro de rua, o Teatro de Sacada utilizou a narração como fio condutor e a linguagem cênica como recurso para contar a história da região. Essa abordagem inovadora dinamizou os roteiros turísticos, estimulou uma vivência lúdica da cidade e fortaleceu a produção cultural local.

Mais do que um espetáculo, o projeto consolidou-se como uma ação de valorização do patrimônio e de fortalecimento dos laços comunitários, unindo tradição e experimentação artística. É um marco na trajetória cultural do Serro, onde a arte se afirma como protagonista na celebração da sua gente, da sua história e da sua paisagem.

EXPEDIÇÃO PARATY - SERRO

A Expedição Paraty–Serro, realizada entre 1º e 23 de setembro de 2002, integrou as comemorações dos 300 anos da cidade do Serro/MG. O evento rememorou a colonização das serranias entre a Serra do Espinhaço e a Serra de Itacambira por bandeirantes paulistas, iniciada em 1702 com a fundação do Arraial das Minas do Ibiti-ruí, transformado em Vila do Príncipe em 1714 e elevado à cidade do Serro em 1838.

O trajeto da Expedição seguiu os percursos do Caminho Velho e do Caminho dos Diamantes, trechos que posteriormente compuseram a Estrada Real. Oficializados pela Coroa Portuguesa no século XVIII, esses caminhos eram utilizados para o transporte de ouro e diamantes de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. Ao todo, foram mais de 943 km percorridos, cruzando três estados: – Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais – em uma jornada que destacou e valorizou as tradições, a história e as belezas naturais dessa região singular.

A iniciativa foi organizada pelo Instituto Serrana ONG, em parceria com o Instituto Estrada Real, criado em 1999 e vinculado ao Sistema FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). O Instituto Estrada Real tem como missão promover, organizar e gerenciar o produto turístico Estrada Real, contribuindo para o desenvolvimento regional e a valorização cultural ao longo dessa rota histórica.

© 2026 por Instituto Serrana ONG

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